sábado, 30 de julho de 2011

1.1. A resposta

   Um mês após a carta de resposta do Senador Richa, recebi o seguinte telegrama:
  
   "  Antecipo prezado companheiro que já estudamos diversas emendas e já estabelecemos formula buscando aprovação nas disposições transitórias da autorização de plebiscito em 1993 para que a população possa se manifestar a respeito do sistema de governo.

                            José Richa - Senador   ".

   Como se verifica, havia grande urgência na fundação do novo Partido, tendo em vista a promulgação da nova Constituição. Também havia interesse direto na adoção do Parlamentarismo, eis que a idéia era já estabelecer um plebiscito sobre o sistema de governo ( Presidencialista, Parlamentarista ou até Monarquista ).
   Nem um mês após ( 12 de junho de 1988 ) recebi novo telegrama comunicando fundação do Partido:

      "Agradeço sua manifestação apoio e solidariedade momento fundamos PSDB. Seu gesto nos conforta e anima enfrentar com coragem dificuldades que virão. Pretendemos contar sua valiosa colaboração.  Tomamos liberdade encaminhar seu nome e endereço companheiro responsável organização Partido Estado Rio Grande do Sul, que deverá manter contato breve. Cordial abraço 

                                                        José Richa - Senador "


     Finalmente em 26 junho 1988  recebi novo telegrama:

      "Volto dirigir prezado amigo sentido comunicar tomei liberdade encaminhar seu nome e endereço companheiros Rio Grande do Sul novo Partido, visando manter contáto ocasião  instalação comissões provisórias, consultando quanto sua adesão.  Registramos com alegria essa possibilidade. abraços.


                                                        José Richa - Senador "

         Note-se que o Senador encaminhou meu nome e endereço para companheiros, no sentido de participar da instalação das comissões provisórias.  Mas, os " companheiros " não entraram em contáto comigo.  Fui ao encontro realizado no auditório da Assembléia Legislativa, baseado em reportagens da imprensa.
         Ocorre que o Senador Richa não veio a Porto Alegre, e eu fui solenemente ignorado.   Como jamais fora filiado a Partido Político nâo entendi o porquê. Somente após bastante tempo é que entendi que os verdadeiros adversários  dos Partidos não são os filiados a outros Partidos. A "briga de facão"  se dá entre os "companheiros", que ao menor sinal de ascensão de algum companheiro, lhe puxam o tapete. Por exempo: um candidato não precisa se preocupar com a eventual votação de candidato de outro partido. Ele precisa lutar e tentar derrubar o proprio companheiro para chegar ao quociente eleitoral com maior votação. Então, por este sistema eleitoral ocorre seguidamente que um candidato seja suplantado por candidato de outro Partido que apenas tenha conseguido 10% dos  seus votos.    Até parece piada, mas não é !


  Este é um breve exemplo do absurdo sistema eleitoral do Brasil e explica porque usamos o título POLITICOS SAFADOS.  Como eu dizia aos companheiros mais chegados:  "TODOS OS POLÍTICOS SÃO SAFADOS , em maior ou menor grau, INCLUSIVE NÓS."  

  Proximamente iniciarei o capítulo VIDA DO PSDB para mais adiante ingressarmos no capítulo "AGONIA DO PSDB".

sábado, 21 de maio de 2011

1 - Nascimento do PSDB

      Após a redemocratização do país, iniciou-se a reorganização ( ou seria uma desorganização ? ) dos partidos políticos. O  PMDB tinha muito " cacique e pouco índio " e um grupo de parlamentares - liderados pelo Senador JOSÉ RICHA - iniciou um movimento objetivando a formação de um novo Partido. Como sou parlamentarista desde a Faculdade de Direito, principalmente por influência do então professor Paulo Brossard, dirigi uma extensa carta ao Sen. Richa, da qual transcrevo trechos ( íntegra no documento abaixo):
"..V.S tem em mente a criação de um novo partido, comprometido com as causas populares. Tomo a liberdade de sugerir a criação de um PARTIDO PARLAMENTARISTA ( o parlamentarismo seria a bandeira de luta principal, pois entendo que as demais conquistas viriam na esteira do mesmo) reunindo todos os parlamentaristas do país, especialmente os que tiveram a coragem de enfrentar o Governo Federal. A idéia, à primeira vista , poderia parecer absurda, entretanto, com as considerações abaixo, creio que fica bem mais aceitável:

1) O novo partido, tendo como base principal o ideal parlamentarista, iria atrair políticos de TODOS os partidos;
2) Seria o único partido com ideal a defender - não seriam aceitos candidatos que não professassem o ideal parlamentarista - com o que evitar-se-ia o que está ocorrendo no PMDB que aceitou políticos de todos os matizes e com isto está implodindo e chegando ao absurdo de entrar em luta interna pela sigla do partido (realmente só existe uma sigla; não existe ideal, base ou objetivos definidos - a não ser a conquista do poder (e permanência ) a qualquer preço; 
3) Quanto aos eleitores, iriam aprovar o parlamentarismo ? Entendemos que sim, porque:

a) estão cansados de políticos " profissionais que pulam de galho em galho ", sempre de acordo com seus interesses particulares;

b) os eleitores perceberiam uma linha de conduta firme, um objetivo a atingir: o bem maior da nação, e não a satisfação pessoal;

c) No momento em que se fizesse uma campanha de esclarescimento, colocando frente a frente o parlamentarismo e o presidencialismo, tenho a certeza de que a grande massa de votação aprovaria as teses parlamentaristas. Esta minha convicção vem da experiência de 1963, quando fiz a campanha a favor do parlamentarismo em dois municípios do Rio Grande do Sul, tendo vencido o " SIM " por mais de mil votos ( na época, para aqueles municípios era algo quase inacreditável )..."

Aqui devo abrir um parêntesis para explicar porque era " quase inacreditável ": é que Brizola era o líder maior naqueles anos e porque o " SIM " Parlamentarista venceu em apenas três municípios em TODO o país, sendo dois onde fiz campanha através de palestras em colégios, comentários em jornais e rádios, panfletos impressos custeados pelo então Secretário do Governador Meneghetti - Guido Moesch - e por mim.
" 4) V.S.já pensou no ideal parlamentarista levado às ruas por grandes tribunos - cada um comandaria em seu Estado - por exemplo: em São Paulo, Franco Montoro ou Mário Covas; no Paraná, claro V.S. e assim por diante ? ... ou a nossa geração toma providências para mudar esta " ditadura legal " de 100 anos, ou o país jamais deixará de ser um objeto nas mãos de presidentes eleitos por minorias. Para um bom presidente 5 anos são poucos, para um mau presidente meio ano é demais."


    O Senador Richa respondeu ( carta na íntegra abaixo ):

" ...Quero dizer que coisa desse tipo não está fora da realidade; temos até discutido muito esse assunto com Mario Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Pimenta da Veiga, Affonso Arinos, e com muitos do Rio Grande do Sul, examinando a possibilidade, na hipótese de ter que compor novo partido, de fazer constar do programa dessa legenda o Parlamentarismo como forma de Governo que vamos defender. Mais do que isso, caso cheguemos à conclusão que o caminho seja realmente a formação de um novo partido, nossa idéia é também lançar um candidato à Presidência da República que não só faça, nos palanques. a defesa do Parlamentarismo, como também assuma o compromisso, em praça pública, com a nação brasileira, se vencer a eleição, de procurar implantar o sistema parlamentar de Governo. Agradecendo sua contribuição e colocando meu Gabinete ao seu dispor, envio cordial abraço,
Senador JOSÉ RICHA "
                                                                                                                    continua nos próximos dias...

Apresentação do blog

       Inicio a publicação neste blog de partes de um livro que estou escrevendo, abordando os problemas dos partidos políticos do país.  Na medida do possível usarei minha experiência pessoal como pré fundador do PSDB, presidente de zonal, advogado do partido na década de 1990 e como delegado nacional do mesmo.  Ao longo de diversas postagens ( capítulos ) irei comentar quais os motivos que levam os partidos ao total desprestígio - quiçá até desmoralização - e o porquê do título do blog.
       Poder-se-á dizer que nada pode o povo, e em especial o eleitor, face aos POLÍTICOS SAFADOS que infestam o EXECUTIVO e o LEGISLATIVO e ainda prejudicam o desempenho do JUDICIÁRIO.              Não podemos esquecer que o ponto de partida da queda das ditaduras  no mundo árabe foi a força avassaladora da Internet. Por que não pode o povo brasileiro usar desta nova arma para apontar as SAFADEZAS dos políticos ?
      Este é o objetivo: com a ajuda dos internautas fazer o que for possível para mudar o quadro desmoralizado e desmoralizante dos Partidos. Apontar as CAUSAS da desmoralização do Congresso e do Executivo, porque os EFEITOS todos conhecem de sobra! Poderemos não atingir nossos objetivos, entretanto, teremos a satisfação de um DEVER CUMPRIDO!